sexta-feira, 31 de julho de 2009

Música Minha: "Fisga Kanhota"

Como já tinha prometido, eis uma das minhas músicas, numa versão voz e violão. Trata-se do "Fisga Kanhota", que acabou numa co-autoria com o Tcheka, chamada de "Língua Preto" e que faz parte do Album dele, o "Lonji".

Esta música retrata um aspecto do nosso quotidiano , nha bedja fitisera. Neste caso em particular, trata-se de uma jovem grávida que, ao saber que a sua vizinha tinha "comido" uma criança da vizinhança, e ao confirmar que ela era realmente bruxa, tratou imediatamente de se precaver dos prováveis ataques ao seu filho.




Lingua preto,

Rabo kumpridu ki ta cendi

Konchedu tambe pa boka fédi

Ta bira gatu pretu di madrugada

Fladu fla

M’ê kumi Pedrinho di Nha Amélia

Ê pôl ku korpu só kocerinha

Ê n-gabal kabelu ti npintxu sai

Ontonti ê pidi-m águ

n-da’l y n-borka’l kaneka

ê fika ta tuntunhi

ê kaba pa pidi pa n-dexa’l bai

Nha fidju ê ka ta kumi

Nha fidju ê ka ta nguli

Dja n-toma pruvidência,

n-ka ta nsoda nau

fumador d’arruda tres bes pa simana

adju prindadu tras di porta

baboza na lata la kintal

sal spadjadu riba kaza

n-deta k’ól seti dia kantu k’ê nasci

n-pol guarda marradu na cintura

n-ta salta’l tres bes di vez em kuandu

n-po’l ta prendi fazi fisga kanhota


sábado, 25 de julho de 2009

Imagem: Seca e Êxodo

Um produto da combinação Seca & Exodo Rural
(Jalunga - Ilha de São Nicolau)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Storia Storia...


Tenho imensa satisfação de fazer parte desta estória. O Txapu na Bandera (faixa nº 2 do Álbum) tem uma estória. Quando fiz esta canção, eu estava atormentado por uma dúvida de ter ou não SIDA, pois eu tinha perdido peso, tinha os cabelos bem leves na cabeça, entre outros sintomas de problemas imunológicos. Tal era crítica a minha situação que, tempos depois, o médico mandou-me fazer o exame de HIV somente para confirmação. Contrariando essa expectativa, e para meu alívio (imagine-se como!), os testes deram negativo, pois tratava-se de outra doença (Anemia Megaloblástica), que me fez esquentar os colchões da "Santa Isabel" (Hospital Dr Agostinho Neto) durante dois meses, em 2004.


A música Txapu na Bandera baseia-se no lema "Viver e Deixar Viver" e convida cada um a estar atento a esta "coisa ruim" (HIV), solta no mundo, pronta a arrebatar a maior bandeira que cada cada qual tem: a vida.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Encontro com o Sr Luis Romano


Um grande presente de aniversário!
Tive o enorme prazer de Conhecer, no passado dia 10 de Julho, dia do meu aniversário, em carne, osso e vitalidade, o Sr Luis Romano, um ou dois dias após o anúncio equivocado da sua morte.


Eu e uma Delegação cabo-verdiana em Missão no Rio Grande do Norte fomos à casa dele na cidade de Natal. Todos ficámos espantados com este senhor de 87 anos,cuja aparência física debilitada contrasta em absoluto com a vivacidade e a lucidez da alma. Mandou vir grogue e, contrariando recomendações médicas, não resistiu em deixar-se levar à sua terra Natal (Santo Antão) pelo gosto da cana misturada com ervas, uma receita que recusou-se a partilhar conosco.

No final, entre tantas conversas, risadas e recordações, ofereceu a cada membro da equipa o seu ultimo livro, uma homenagem ao Poeta António Januário Leite (foto acima) .
Muita saúde, Luis Romano!







Djaroz de volta...

Pois é, resolvi voltar...

Bem espero que seja por um bom período. Nesta minha volta vou tentar partilhar as impressões do País Real,ou seja, cantos e recantos da nossa terra que não costumam ter espaço na mídia. Evidentemente, a música não poderá ficar de fora, bem como a política, as novas tecnologias, etc,etc.

Por enquanto, as minhas músicas não estão disponíveis por problemas meramente técnicos, mas prometo que, em breve, algumas serão colocadas para livre acesso.

É uma sensação gostosa poder voltar à blogosfera nacional...

domingo, 21 de setembro de 2008

Bom Som no Quintal

Após um bom tempo sem passar pelo Quintal da Música, foi com um prazer enorme que pude assistir ontem à actuação do Zé Rui, bem coadjuvado por Djim Djob, Kalu Monteiro e To Alves. E Como se não bastasse, ainda subiram ao Palco oKim Alves e a Guty Duarte. O show foi marcado por um clima envolvente, em que artistas e público mantiveram, o tempo todo, uma cumplicidade escandalosa.

Como é bom saber que, na nossa Capital, contrariando alguns vaticínios, a execução musical live de qualidade ainda está presente!!

Malandragem

O crioulo não pára de inventar manobras para sobreviver. Há coisa de dez dias, uma sexta feira por sinal, um jovem ardina vendia o Jornal A Semana, quando se sabe que o Jornal tem estado de férias ultimamente. Muitos desavisados e distraídos compraram gato por lebre, ou seja, jornais que já saíram há mais de mês e meio. O jovem, que estrategicamente só vendia para quem passava de carro, tomava o cuidado de dobrar o Jornal na hora de entregá-lo ao comprador. O interessante é que, quando flagrado, não hesitava em devolver o dinheiro ao comprador, e sem dar um pio!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Luso-Cabo- Descendentes: Falta Coerência

A propósito do Post Agastado do Cesar Schofield sobre os Luso-cabo-descendentes, eu penso que o erro está dos dois lados, do nosso e do deles.

Quando se trata de situações desagradáveis, tanto um lado quanto o outro procura distanciar,-se, ou seja, numa situação em que há, por exemplo, algum crime envolvendo um português de origem cabo-verdiana, do lado português procura-se realçar a descendência e, do nosso lado, há quase que uma revolta por causa da enfase na ligação do delinquente ao nosso país.

E quando se trata de coisas boas , tanto um como outro fazem questão de reinvindicar a nacionalidade dos bons feitos. Por exemplo, quando um atleta português de origem cabo-verdiana ganha uma medalha nos Jogos Olímpicos, como é o caso do Nelson Evora, a descendência costuma ser esquecida pelos Mass Media da Terra de Camões, e há quase que uma revolta em Cabo Verde, mas por causa da não referência a essa ligação a Cabo Verde.

Enfim, tanto um lado quanto o outro devem ser coerentes na sua forma de abordar essa questão de nacionalidade e descendência.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Caminhamos para a “Música Popular Cabo-Verdiana” (MPC) ?

É cada vez mais difícil enquadrar as músicas feitas pelos cabo-verdianos nos diferentes géneros e estilos nacionais, muito por culpa da liberdade criativa que se tem traduzido em fusões de vária ordem.

E por que não, por exemplo, passar a chamar essa nova tendência de MPC (Música Popular Cabo-verdiana)? Isto evitaria aquela longa dissertação de que a música do Tcheka, do Vadú ou do Princezito, e de tantos outros, tem elementos do batuku, da tabanka, do talulu, do finaçon ou do funaná com influências de blá blá blá… para no final alguém discordar e dizer: “não, na verdade, essas canções não são nada disso, pois são baseadas nos ritmos mandinga com influência do jazz, do blues, da bossa nova, blá, blá, blá…” . O Refilon teria também o seu enquadramento facilitado enquanto grupo criador de géneros e estilos nacionais.

A ideia do MPC é claramente inspirada no MPB (Música Popular Brasileira), um género composto por uma plêiade de estilos e propostas musico-sócio-culturais daquele povo. Mas assim como aconteceu no Brasil numa dada altura, poder-se-á colocar a questão se a morna, a coladeira, o funaná e os demais géneros nacionais não terão também a legitimidade de serem MPC. A ideia é de uma Música Popular Cabo-verdiana (MPC), mas stricto sensu, que diga respeito a essa nova proposta de música aberta ao mundo, mas que preserva elementos de identidade sócio-cultural dos cabo-verdianos.

Fico à espera de reacções.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Testemunhos Diários do Frenesi Chinês

Com os Jogos Olímpicos à porta, nada melhor do que acompanhar o frenesi diário que se vive na China, nestes últimos tempos, com duas propostas brasileiras:

· http://blog.estadao.com.br/blog/claudia/ - da Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim do Grupo Estado (proprietário do Jornal Estado de São Paulo) e autora do livro "China - O Renascimento do Império

· http://raulnachina.folha.blog.uol.com.br/ - de Raul Juste Lopes, correspondente do Jornal Folha de São Paulo em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura (Brasil).

Pessoal, VALE A PENA CONFERIR!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O "Refresco" dos TACV

“Avion dja toka lumi!!” Foi o suficiente para gerar pânico no Aeroporto Internacional da Praia na tarde de Domingo último, um dia aliás marcado por muitos acidentes (ou incidentes, como queiram). O Airbus alugado pelos TACV acabara de aterrar vindo de Lisboa, mas acabou por passar a pista. Mas finalmente, e felizmente, tudo não passou de um grande susto.

Bem, a seguir a toda a balbúrdia, começou-se a especular sobre as causas. “Di serteza, ê kês pilôtu stranjêru la, és dêbi ter tomadu sis bom águ. És ta anda pa riba y pa baxu na aeroportu ku serveja na mô Kára pôdri.” Disse ao pé de mim um Senhor que garante saber do que fala.

No meio disto, eis que dos altifalantes do Aeroporto uma voz convida os passageiros com destino a Lisboa, e que se encontravam já na sala de embarque, a abandonarem a sala, em função do problema operacional que não especificaram, mas o qual todo o mundo já sabia. Mesmo ao meu lado, uma senhora, por sinal uma das (a)visadas, reclamava: “és tem ki trata tudu alguém igual. Si krê n-mora li sin sin dianti di Aeroportu, és tem ki tratam igual a otus alguém ki bem di lonji. Pra já, és ka ta sabi kem ki mora li Praia ou la fora”.

A mesma voz do altifalante, instantes depois, faz um novo convite a estes mesmos passageiros, alguns dos quais tinham vindo do Interior: deslocarem-se ao bar-lanchonete do Aeroporto e tomarem … um refresco!

Este convite foi motivo de chacota por parte dos que estavam no interior do Aeroporto.

Seria muito mais sensato falar de lanche. Provavelmente, os Passageiros terão tido direito a um lanche, não sei, mas o mínimo nesta situação era anunciá-lo ao invés de um refresco. Estes pequenos detalhes costumam fazer muita diferença.

Música Minha no Djaroz

Depois de algum tempo sem...tempo, eis que volto ao vosso convívio. Para (re)começar, nada melhor do que uma novidade musical. Tempo di Mininu é uma música que fiz pensando nas boas lembranças da infância. Espero que gostem! (para ouvir, clicar aqui)


Tempo di Mininu

(Djoy Amado)

Mi n-ta lembra di kel vontadi di bira grandi

K’ê pa n-serba livri di tudu privasson

Fórti n-kria kórri txada à vontadi

Liberdadi di vivi sem medo riprienson

Más kel li ê só ponta d’Iceberg

Pamodi nu fundu mi era mutu mas alegri

na nha infância

Mas ami à midida ki n-bá ta kêrsi

Kel ladu alegri di infância bá ta perdi

Ta distânsia

Ê lembransas tão bunitus

Ki n-tem vontadi, sim

Di bira mininu más um bês

(li na Praia Maria)

Ê lembransas tão bunitus

Ki n-tem um sodadi sem fim

n-kre nha tempu di mininu mas um bez

n-kre nha tempu di mininu mas um bez