terça-feira, 18 de março de 2008

Coisas da Capital

Bagdad

Depois da Tchetchénia, agora é a vez de Bagdad. Assim se chama uma rua do bairro da Ponta d’Água, fruto de regulares situações de violência que por aí se verificam. Essa “moda” de dar nomes a certos bairros ou ruas parece passar a ideia de institucionalização da violência em certas comunidades, onde as autoridades de reposição da ordem são por vezes recebidas com hostilidade, gerando contra-reacções que por vezes acabam mal.

Mercado do Paiol

Tem passado sistematicamente o anúncio da conclusão do mercado do Paiol, um dos bairros mais antigos da Capital, e da solicitação às vendedeiras locais para se dirigirem para lá. Há uma fartura de exemplos de grande dificuldades, pelo menos na Praia, de convencer as vendedeiras a se instalarem nos mercados e abandonarem espaços impróprios, mas que para elas constituem pontos estratégicos. O pior é que o próprio consumidor, que devia ter um papel preponderante nessa mudança de consciência, não costuma colaborar, reforçando a tese das vendedeiras: “Nu ta bai pa mercado, és ta continua ta bem kumpra li”.

1 comentário:

Voz na Pedra disse...

Djoy, de um tempo pra cá que tenho defendido maior dignidade para os bairros a começar pelos nomes dos mesmo. Convenhamos que dos bairros da capital poucos foram concebidos originalmente para terem o nome que têm hoje. Na maioria, os nomes foram herdados de antigas referências que nada tinham a ver com bairros onde vivem pessoas. Lém-Catchor, Paiol, Kobon i safende são alguns exemplos e claro se não não nenhuma referência e o caos é reinante de repente um bairro mudar de nome para Tchetchenia, poderá ter mais significado do que Konbon.

De outro modo queria comentar essa do mercado que hoje em dia transcende a localização física, mas continua a ser estratégico. Tenho acompanhado a "guerra" da CMP em mandar as vendedeiras para os chamados "mercados" e estas recusam terminantemente. Isso confirma que não se pode fazer política com base em infra-estrutura, mas em questões de fundo, invisíveis por vezes, mas essenciais. Questiono, por exemplo se o mercado do brasil fosse situado no meio da Achada, não teria público? O inverso não funcionou até hj porque o mercado comprador está do outro lado. O seja o conceito de mercado já não é físico. Evoluiu e as politicas para serem efectivas terão de compreender isso. Bali!!!