sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Proposta nº4 : Uma Divisão Diferente para a Música Feita por Nós

A divisão mais comum para os diversos estilos de música, nossos ou não, em cima dos quais produzimos, opõe o grupo do tradicional, constituído pelos nossos géneros musicais, ao do comercial, constituído pelo Zouk Love, Kuduru, Ragga, Soukouss, Rabadop, Rap, etc.

O primeiro problema dessa divisão prende-se com a noção de comercial. Será que o carácter comercial não se encontra em todos os estilos, sejam eles tradicionais ou não? Evidentemente, que se pode argumentar que os estilos como o Zouk Love ou o Kuduru são de consumo rápido e que não têm nenhum outro carácter que não o do puro entretenimento. Mas penso que isto não é suficiente para o separar das águas. É bom lembrar que as carreiras de artistas como Tcheka, Cesária Évora ou Mayra Andrade são conduzidos sob uma óptica comercial muito forte, o que acaba por reflectir-se nos álbuns produzidos (Tcheka a ser produzido por Lenine; Cesária Évora a cantar em Espanhol; Mayra a cantar em francês, etc, etc). Tudo isto é comercial, também!

Um segundo aspecto tem a ver com a definição de tradicional. Quando se houve um Tó Alves, Dudu Araújo ou Bius não se tem dúvida que se está perante algo tradicional, naquela acepção da palavra ligada ao que é nosso, isto é, sente-se uma presença forte de elementos genuínos de géneros musicais nossos, independentemente de haver aqui e ali alguns elementos de outras paragens. Mas o que faz o Tcheka é mesmo batuco? As músicas do Dany Silva ou do Vlú devem ser rotuladas de tradicional? O que são aquelas composições de Renato Cardoso interpretadas pelos Tubarões? Enfim, poder-se-ia desfilar ainda enésimos exemplos de canções ou de artistas que criam grandes dificuldades de enquadramento na clássica divisão entre tradicional e comercial.

A mim me parece que poder-se-ia resolver boa parte destes problemas se, ao invés da divisão tradicional-comercial, fosse feita uma outra, com base no formato (não estou a ver outro termo) da execução ou da produção, isto é, numa divisão entre Música electro-acústica e Música electrónica.

A música electro-acústica englobaria todos os estilos e géneros musicais (genuinamente nossos ou não) executados por instrumentos eléctricos, acústicos ou electro-acústicos. Por outras palavras, músicas em que o som de guitarra é mesmo de guitarra e não de teclado; o som do saxofone é mesmo de saxofone e não de teclado. Alguém deve estar a perguntar se não haverá Zouks que possam se enquadrar aqui também . Evidentemente. O “I’m a Professional” do Orlando Pantera é um deles.

Quanto à música electrónica, teríamos as feitas normalmente por um teclado profissional ou por um software musical através do Sistema MIDI, complementado por captações de Áudio nos estúdios de gravação; com efeitos para tudo quanto é lado e com adaptações e “correcções” para que tudo saia na perfeição. Os instrumentos acústicos aí não têm vez nem voz (aquele barulhinho da guitarra nylon aí não passa!!!) e os eléctricos podem até ter espaço, mas muito reduzido. Na verdade, o teclado trata de fazer (bem ou mal) tudo o que os outros instrumentos fazem. Muitas coladeiras que ouvimos hoje passariam, de certeza, a fazer parte deste grupo.

A divisão vista nesta perspectiva permite até corrigir algumas análises e julgamentos injustos para com algumas produções. Por exemplo, albuns como “Unidade e Amor” dos Rabelados, “Rapazis Nobus” dos Livity, os primeiros álbuns a solo do Grace Évora e do Splash, que não são estilos genuinamente tradicionais nossos, mas que têm uma componente humana muito forte traduzida na execução dos instrumentos, contrariamente ao Cabo Zouk Love que hoje conhecemos.

Enfim, penso que a nossa maior luta não é contra a estrangeirização dos nossos géneros musicais, mas sim contra a desumanização da produção musical e a consequente minagem da acção colectiva no domínio da criação e execução musicais.

4 comentários:

da caps disse...

jovem,

gossi tudo sta comercial,
aliás, quasi tudo.

diferença ê público a qui cada um ta dirigi...

ppl (teoricameni) co más cultura ou más "más fino" ê qui ta fazi quel distinçon qui bu sta fla.

Zé Povão, quel real CV, quela ta aprecia tudo qui ê agradável.

da caps

hiena disse...

mim um ta otchà que é um questão de educação de ouvido(oredja) , quepor exemplo mim um ta pertence à Zé povão, ma com o tempo um começa ta parecia diferentes estilos de musica,sem nenhum problema porque um uvi cozas ditas diferentes...acho que Radio(midias em geral) tem "culpa" , porque esh ca ta da espaço de antena pa musica "diferente " ( por exemplo musicas tradiçionais de cabo verde e não sô) e pessoas em geral ta custumà ta uvi sempre mesma coza(zouk,e agora kuduro) e isso ka é bom (ja ta provado)...él é cool ba abana capacete e polpa ma coração e cabeça ca ta trabaia, musica é mensagem,harmonia,ideia(troca de ideia tb), dialogo (monologo as vezes) , sentimento e mais , e mais que é impossivel numera tudo, ca é so abana capacete e polpa(pra ser bem educado)...ma pra isso divulgação de musica na midia têm de ser mais diversificado, e não pa cai sô na lado comercial ...é nha opinião um pode estode errado , ma pronto,ta continua nha opinião...bom post Djoy ...continua

djoyamado disse...

Oi, Da Caps y Hiena

Na linha di kel ki Hiena fla, n-tem impresson ma txeus DJs (ka tudu és!!) tem aproveitado di spaço ki és tem na rádio pa compiti ku kumpanheru y tenta odja kenha ki ta consigui garanti más biscaitis na buátis y discotecas. Talvez kel la seja um di kes razons pamodi txeu hora bu tem sensaçon ma txeus di kes rádios ê réplica di kuzé ki ta passa na discotecas.

N-ta átxa tambê ma kel ideia di agradável ki Da Caps rifiri ta dependi txeu di kuzé ki Zé Povão sta kustumadu ku obi.

Nhos fika fixi.

Baluka Brazao disse...

queston ta passa pa formason i informason ki ken ki ta poi musika na rádio, tem. Kéla ki é musika ki ês ta obi i ki ês ta atxa ma é fixe, fora kês outo queston muito pertinenti ki nhôs labanta.
Abrasu.
Baluka Brazão.